Pois então, há mais de dois anos me mudei pra Suécia. Latitude 62 00 Norte é a localização oficial da Suécia no planeta. O pólo-norte fica localização em latitude 80 00 Norte e por isso achei o dado interessante. Aqui realmente você se sente perto do pólo.
About Me
La Palha
Stockholm, Sweden
Uma produtora musical enfrentando frio, diferenças culturais e a vida de imigrante na Suécia.
Eu ando numa fase musical bem crua. Ouco muito blues, MC5 e cada vez mais guitarras sujas e riffs simples, como uma saga pessoal dos meus ouvidos às raízes do rock.
Andei ouvindo um bocado de Jack White mas não de White Stipes, e sim da veia bluegrass dele que pra mim é a melhor. Dessa incursão do trabalho do mr White fui do The Dead Wheater às músicas dele na trilha sonora do filme Cold Mountain. Entre elas as maravilhosas "Sittin on the top of the world" e "Never Far Away".
Acabei surfando de cara com algumas surpresas no Spotify e YouTube. Uma delas foi a banda The Hentchmen e o disco Hentch-four.five com a participacão do braquelo e o blues "Fly Farm Blues", composto como trilha para o documentário "It Might Get Loud".
It Might Get Loud foi lancado pela Sony Pictures e ao que me parece passou meio desapercebido. A idéia do documentário era pegar três guitarristas de geracões e influências diferentes e dissecar a relacão deles com a guitarra. Os três mosqueteiros no caso são Jimmy Page (Zeppelin), The Edge (U2) e o caculinha Jack White (White Stripes, The Raconteurs, The Dead Wheather).
Cada um com seu som característico e famosos cada um por tocar um determinado modelo de guitarra: Jimmy com a Les Paul, Edge com a Explorer e Jack com as esquisitíssimas guitarras de Luthier e vintages airline models.
Em termos de talento eu achava que o Edge é o mais "fraquinho" do trio. Mas passei a reconhecer a genialidade dele em usar efeitos e conseguir tirar sons históricos da guitarra com riffs tão simples. Jimmy Page é praticamente quem imortalizou a guitarra mais famosa de todos os tempos com seu criador, o saudoso e genial Mr Les Paul.
Jack é o cacula e cuja criatividade é ainda atual e efervescente comparado aos dois trios do documentário. Mas o que mais me chamou atencão no documentário é que todos falam do instrumento com profunda admiracão e paixão, além de mostrarem que a essência do rock'n'roll pode sim existir na simplicidade de uma pentatônica. Pra mim está aí a genialidade de um guitarrista, e não na arrogância e destreza circense de um Yngwie Malmsteen da vida.
Um dos vídeos mais engracados que eu vi em muito tempo.
Esse sueco a toa testa coisas malucas e posta no YouTube.
No caso, ele testa um daqueles patches de estimulo neurológico (tipo aqueles cintos de abdominais) e ao mesmo tempo ele prepara e come um café da manhã bem básico.
Fui com meu manfriend ontem assistir Up no cinema e me dei conta de que os dois maiores lancamentos em animacão da temporada tem velhinhos como heróis: Up e A Christmas Carol (o clássico de Charles Dickens).
Achei Up bem legal. Bem humorado e uma história bem amarradinha. Engracado que as animacões têm conseguido ter enredos mais bem amarrados que muitos filmes com "gente de verdade".
Pode ter sido pura coincidência, mas acho legal que ambos filmes tenham idosos como heróis. Pode ser um passo na mudanca da mentalidade que idosos são os resto da civilizacão pra que eles sejam menos marginalizados.
Up:
A Christmas Carol, com Jim Carrey no papel principal:
Na sexta passada tivemos a festa de fim de ano da empresa com tema de Moulin Rouge. Achei um pouco inapropriado ter uma festa na empresa com puteiro francês como tema. Mas a festa teve uma ótima surpresa: Uma das bandas que eu estive mais curiosa aqui na Suécia se apresentou durante quase duas horas.
E eu que caí no barril do rock'n'roll quando era pequena, como um Obelix impuro, acabei sentindo meu sangue latino ferver e dansei. E dansei muito.
Hoffmaestro & Chraa tem trocentos pessoas no palco e mistura ska, hip hop, uns sons meio havaianos, reggae, música caribenha e latina.
Não sei porque uma banda dessas acabou surgindo logo aqui na Suécia. Um país frio, sem sol durante 6 meses e onde um baseado custa 100 reais. Mas existe. E a música é empolgante e dansante. Claro que não é a coisa mais original e revolucionária do mundo, mas me deixou pensando porque no Brasil não existe uma banda assim? Nós temos todos os elementos pra isso e ainda temos o balacobaco no sangue.
Adoraria ver esse apagão musical do Brasil acabar. Afinal de contas, olha o bronzeado desses branquelos! Como eles podem ter mais groove e nocão de música latina que nós?
Marquei essa semana minhas passagens pra passar o natal e o ano novo no Brasil.
Ao planejar a viagem a primeira coisa que me chamou a atenção foram os baixos precos da Air France pra essa temporada. Acho que ainda é reflexo do acidente no Atlântico. Eu apesar de não ter medo de voar confesso que não quis comprar um bilhete da Air France. Não só pq eu acho o servico deles uma bosta, mas porque o bilhete da minha empresa favorita (A British Airways) estava mais barato e ainda passa por Heathrow e vc tem aquele gostinho de estar em Londres, a capital do mundo musical.
Pois então, junto com o bilhete eu marquei também o meu aniversário aqui em Estocolmo, que vai ser uma festa Brasileira com caipirinha, coxinha de galinha, empadinhas, brigadeiro e docinho de coco. Ai montei uma lista no spotify com música brasileira pra festa. Não queria fazer uma lista muito cliché mas acabei colocando aqui e ali uma Carmem Miranda e Jorge Ben Jor. Como diria meu ex-chefe Lobatto "Música de camisa do Flamengo e berimbau no aeroporto".
Mas me dei conta de que são muito poucas bandas brasileiras que soam brasileiras, que tem identidade e qualidade. O Los Hermanos tinha uma boa dosagem dessas qualidades mas foi pra vala.
O Rappa tinha o lirismo, o suingue e a dose de revolta necessária, mas se perdeu no caminho das atrizes da novela das oito e a perda do baterista e cérebro da banda. A MPB tem a sua própria categoria de cantoras lésbicas e letras estranhas e nostálgicas sobre o cotidiano quase agricultural do período do império.
Seu Jorge trouxe uma exposicão internacional da música brasileira de uma forma mais indie e aqui na Europa umageraco inteira conhece ele pela participacão no filme LifeAquatic. Marcelo D2 por outro lado faz uma mistura de nível mais americano com o Hip Hop misturado com samba, soul e outras cositas más.
Mas np geral a música brasileira pop e rock me parece um emaranhado de cantores medíocres e bandas que ou imitam grandes bandas americanas ou repetem as fórmulas inventadas pelos movimentos musicais revolucionários que aconteceram até os anos 70.
As bandinhas de emo/punk/pop já deram. Os NX Zero, Fresno etc são nada mais que boy bands com três acordes e distorção e uma cópia mal feita das bandas americanas e alemã. A Maria Gadú, me desculpem, mas é uma filha ou clone da finada Cássia Eller. Mesmo visual, atitude e fisicamente parecida. Não vejo nada de novo acontecendo ai. Mas depois da calmaria vem sempre a tempestade que remexe o fundo do mar e revela os tesouros enterrados.
Espero que com o final da primeira década do século por vir que uma revolução musical aconteça no Brasil e que o mercado se renove. A música mundial esteve num momento de contemplação das décadas passadas e possivelmente caminha para alguma tendência mais revolucionária. E principalmente no Brasil, essa é uma necessidade latente.
Fico feliz em ver uma ótima safra de bandas lideradas por mulheres aparecendo por aí. Boas cantoras, com atitude e boas músicas. E não digo só aqui na Escandinávia, onde elas se reproduzem mais que adolecente favelada no carnaval.
Acho ótimo tb que elas fazem rock honesto, de boas influências, feminino e ao mesmo tempo com atitude. E por atitude eu não quero dizer que elas precisem parecer lésbicas agressivas ameacando soutiens com isqueiro, mas que cantam de forma atual sobre mulheres atuais.
Eis abaixo algums exemplos.
Florence And The Machine.
A mais nova queridinha aqui na Europa. Visual retrô, bela voz, bonita e um soul-indie ótimo, com a cara do Reino Unido. O disco de estreia Lung tem um visual que seria algo como Alice in Wonderland servida morta e fria num prato a Rainha de Copas. E acho que isso descreve um pouco o som também. Adoro o toque blues que ela dá a Girl With One Eye (que me lembra Mona, a namorada sueca do Lemmy que só tem um olho).
Canta muitíssimo bem Florence Welch.
Kiss with a Fist:
Girl with One Eye:
Drumming Song:
Ida Maria
Nome de lavadeira e atitude de Iggy Pop meets The Clash in high heels. Uma das minhas favoritas ever. Ótimas letras e som mais punk que pop. Uma de suas músicas, I Like You So Much Better When You're Naked rapidamente se tornou a trilha sonora da minha vida de solteira. ;) A voz dela é grave e levemente rouca e contrasta bem com o som aberto das strato e telecasters que ela toca. Ida é norueguesa e seu som é extremamente típico aqui da Escandinávia. Eu moro na rabeta gelada do mundo em um país de rock, de punk, de gritos, de distorcão, de influências dos anos 50, 60 e 70 e de uma procura de alguma pureza ainda no rock. ADORO!
Ida é queridíssima nos Estados Unidos no momento mas cancelou suas apresentacões no Perez Hilton presents. Muito bem, menina Ida.
Eis Ida Maria:
Oh My God.
I Like You So Much Better When You're Naked:
Hello Saferide
A prima sueca de Ida Maria que toma seus remedinhos todo dia, Annika Norlin é a front woman de Hello Saferide. Só esse ano eu trabalhei em 4 shows deles mas a banda ainda não tem projecao internacional. O som é mais calmo, mais indie mas näo menos interessante. Os motivos mais românticos e me arrisco a dizer mais mulherzinha. O show tem um aspecto legal que são os efeitos de luz e fumaca que eles proporcionam e a platéia quase nem vê a banda.
Chega de escrever. Oucam:
I can't believe it's not love.
Anna
Get Sick Soon
Säkert!
Essa é a banda em sueco da mesma Annika Norlin de Hello Saferide. Mesmo que vocês não entendam a letra, dá pra se divertir com as músicas.
Vi kommer att dö samtidigt (Nós vamos morrer ao mesmo tempo)
Sanningsdan (O Dia da Verdade)
----> Oucam também "Nothing like you (When you're gone). É a melhor música de Hello Saferide.
I know, I know. My blog has been kinda like abandoned and I do have a lot to write here but I lack time and the focus to organize words into lines. In this hiatus it became much more introspective than I had planned. The hurricane is passing by and I can see some blue spots in the skies but the wind still swirls around me and I grab what I can meanwhile.
I'm moving to my first ever own apartment on two days. I'll be living alone for the first time in my life. And the feeling of being alone and self-suficient for the first time is challenging, scary and at the same time quite nice.
It feels like a big big effort to strech my back, open my arms and breth in the fresh air. Feels like my arms have been tight around my waist för so long the muscles forgot how to move in the other direction. Maybe the difficulty on streching the arms wide open lies in the fact that the embrace it welcomes will not come. They must be open to welcome the open skies, the sea and the space between the ground and the skies. Nothing else. But that had never happened and whatever is new, is scary. Like stepping on sand for the first time.
And for some strange reason I've been craving being in the water now. I take a bath everyday just to feel my body emerged in water. Is it because the body feels lighter inte the water? Or is it because it has been my biggest fear/trauma since I was a little girl to drawn? So now I'm daring living alone in a country that is not mine and I want to dare to be in the environment I fear most?
I don't have many answers right now but they might come along soon. It does seem like a brighter future coming on, starting tomorrow.
Nas últimas semanas muitos dos meus amigos têm comentado comigo sobre os aperitivos do Brasil que andam tendo aqui. O primeiro foi o Rap das Armas que virou o hit do verão sueco com o seu refrão poético "Parapapa papa pa papa". A poesia de Cidinho e Doca e a batida do funk tomaram as rádios suecas e até a TV, sendo usada no anúncio de um dos lancamentos de telefonia celular daqui. Um novo e super poderoso telefone da Sony Ericsson.
O segundo sinal e mais alarmante é a exibicão de um documentário no principal canal da TV sueca, a TV estatal SVT sobre a violência em São Paulo. Manda Bala é uma producão americana, dirigida por Jason Kohn, sobre o "mercado" de sequestros, roubos e corrupcão em São Paulo e no Brasil.
O link AQUI. Talvez vocês não consigam abrir o vídeo, mas procurem ver o documentário, chamado "MAnda Bala".
O exemplo do Jader Barbalho no documentário é latente, alarmante e mostra uma realidade que nós brasileiros não devíamos apenas nos envergonhar mas tomar alguma atitude contra.
Além disso, o filme Tropa de Elite é o terceiro exemplo do nosso cartão de visitas por aqui. O filme teve bastante sucesso e causou alguma discussão aqui. As pessoas que eu conheço que viram o filme me perguntam se a situação é ruim assim mesmo. E eu tenho que infelizmente concordar. Aí elas entendem que no Brasil se vive em estado de guerra, uma guerra crimonosa e civil.
Os três exemplos são provas substanciais de que a imagem do Brasil no exterior tem mudado de paraíso tropical do sexo, futebol e samba para reduto da violência, crime e corrupcão de uma forma que nem a Colômbia ou os países tidos como mais violêntos do mundo não tem.
Se o Brasil fosse um país pobre na Europa, jamais seria admitido na União Européia. Seria mais ridículo do que a vontade da Turquia de entrar na UE. E mesmo assim nós nos achamos a potência da América Latina. Potêncial não é realidade e nosso maior potencial está em se colocar cada dia mais próximos do modelo africano de governabilidade que dos Americanos e Europeus, que nós babamos tanto os ovos de primeiro mundo.
Sinceramente não sei o que é pior. Mas realmente, quando se está no Brasil perde-se a noção do quão grave a situação é. A violência é diária e na sua cara e por isso adormece a revolta e o medo. Mas tá sempre ali a sua volta. E aqui é algo inimaginável. Ouco agora meus amigos dizerem "Eu jamais quero ir ao Brasil." Pois é...